Enoturismo (MG)

Enoturismo Minas Gerais

Nem só de café, queijos e cachaça vive Minas Gerais. Toda a sua produção vinícola se concentra no sul do estado, sobretudo nas cidades de Andradas, Cordislândia, Três Pontas e Caldas. Muitos produtores têm aplicado o método de inversão dos ciclos de poda e colheita das uvas para fabricar os chamados “Vinhos de Outono”. O rótulo que mais ilustra esse espírito visionário é o “Primeira Estrada”, da Fazenda da Fé, em Três Corações. Este, chegou ao mercado em 2010 e é facilmente encontrado em supermercados e restaurantes de Belo Horizonte.

 

A inversão de ciclos de poda e colheita foi idealizada pelo engenheiro agrônomo Murillo de Albuquerque, da Epamig. Logo, a técnica prevê duas podas anuais, em janeiro e agosto, e não apenas uma, como era de costume se fazer. Tudo se deu quando Albuquerque esteve em Bordeaux, na França, para um pós-doutorado em enologia. Lá, ele percebeu que a vindima (colheita), se dava no período mais seco do ano. Exatamente o oposto do que o ocorre no sudeste brasileiro, quando o ápice das uvas se dá no verão. O excesso de chuva e as altas temperaturas impactavam negativamente na qualidade do vinho. Daí, surgiu a solução da inversão de ciclos. E deu certo! Dias de sol, noites frias e solo seco constituem em um terroir perfeito para o vinho fino.

 

Graças a esta verdadeira revolução mineira, a região já sonha em se tornar uma das grandes produtoras de vinhos do país. Entre as uvas, a Shiraz foi a casta que mais se adaptou ao solo mineiro. É ela que constitui a base do “Primeira Estrada”, que chega a custar cerca de R$110 nos restaurantes da região. O alto preço se dá pelo baixo volume de produção. Infelizmente, devido ao preço, dificilmente o “Primeira Estrada” conseguirá competir em igualdade com exemplares chilenos, argentinos e portugueses.

 

Por outro lado, pegando carona no estrondoso sucesso dos espumantes brazucas, o rótulo “Luiz Porto”, produzido pela Fazenda do Porto, em Cordislândia, chega com valores um pouco mais acessíveis, em torno de R$50 a garrafa.

 

Em Três Pontas, o grande exemplo é o “Maria Maria”, da Fazenda Capetinga. Vale lembrar que trata-se da cidade natal de Milton Nascimento e o nome do vinho já diz tudo: homenageia uma das mais lindas canções do cantor e compositor. O vinho fino dispõe de três variações, para alegria dos degustadores: tinto e rosé, de shiraz, e branco, de sauvignon blanc. O rótulo será lançado em breve. Aguardem!

 

O pesquisador da Epamig (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais) foi o primeiro a aplicar a técnica que altera o ciclo natural das videiras, por meio da dupla poda, com o objetivo de produzir uvas Vitis viniferas na região cafeeira de Minas Gerais, de 800 a 1.000 metros de altitude.

 

Inspirado pelo botânico francês Auguste Saint Hilaire, que em 1819 atravessou as montanhas do Sul de Minas Gerais, Murillo acreditou ser possível elaborar vinhos de qualidade na região Sudeste. Há praticamente dois séculos, ao percorrer as nascentes do Rio São Francisco, Saint Hilaire registrou em suas anotações “a notável superioridade das uvas colhidas no inverno com relação as do verão”.

 

A dupla poda altera o ciclo natural da planta, desviando o período de maturação da uva para o inverno. A técnica consiste no primeiro corte dos galhos da videira em setembro para formação de ramos e o segundo em janeiro ou fevereiro para produção. Este é o segredo que permite o surgimento de vinhos finos de qualidade no Sudeste e Centro-Oeste do país, tanto em Minas Gerais, como em Goiás e São Paulo.

 

Os testes em Três Corações, iniciados em 2001, contemplaram as uvas Syrah, Cabernet Sauvignon, Chardonnay e Merlot. A Syrah mostrou melhor desenvolvimento e produção e, por isso, a área foi ampliada para 10 hectares. Outra cultivar bem adaptada é a Sauvignon Blanc, com três hectares. Os vinhedos não são irrigados. Com resultados encorajadores no campo, Murillo convocou seus dois sócios numa empresa de produção de mudas de videiras – os franceses Patrick Arsicaud e Thibaud de Salettes, do Vale do Rhône e Pirineus – e junto com o médico Marcos Arruda Vieira fundaram, em 2007, a Vinícola Estrada Real, situada no polo turístico que envolve as cidades históricas de Tiradentes e Ouro Preto.

 

Assim se inaugura um novo conceito em elaborar vinho fino no Sudeste brasileiro, conhecido por produzir rótulos de consumo corrente, os populares vinhos de mesa, com uvas americanas ou híbridas. Conhecedor do clima e do solo argilo-arenoso de boa drenagem, profundo, da região do sul de Minas Gerais, Murillo defende que a inclusão deste novo terroir no cenário dos vinhos finos brasileiros parece possível, diante das possibilidades agronômicas e climatológicas de desviar o ciclo da videira. “Nossas pesquisas mostram que os vinhos obtidos de uvas colhidas no outono-inverno são superiores nesta região àqueles de uvas colhidas no verão e já surpreendem pela sua originalidade”.

 

Vila Vinífera. Disponível em:<https://vilavinifera.wordpress.com/tag/minas-gerais/>. Acesso em 12 de agosto de 2016.

Pautas de Guarda. Disponível em:<http://www.pautasdeguarda.com/2013/05/vinhos-de-inverno.html>. Acesso em 12 de agosto de 2016.

Região e Clima

Regiões Tropicais Emergentes

 

Existem iniciativas vitícolas em várias regiões do Brasil tropical, com destaque para as regiões Nordeste, nos Estados de Pernambuco, Bahia, Ceará, Maranhão e Piauí, Centro-Oeste, nos Estados do Mato Grosso e Goiás e Sudeste, nos Estados de Minas Gerais e Espírito Santo. Em sua maioria são ainda empreendimentos de pequeno porte, voltados principalmente à produção de uvas de mesa. No universo dos pólos tropicais emergentes destacam-se um no município de Nova Mutum no estado do Mato Grosso, que possui sua estrutura produtiva baseada numa área de 30 hectares de videiras voltados a produção de suco de uva e outro no município de Santa Helena no estado de Goiás com uma estrutura produtiva de cerca de 50 hectares de videiras voltados a produção de vinho de mesa.

 

Sul de Minas Gerais

 

Este pólo situa-se a 21ºS 40ºW e altitude em torno de 1.150m. O clima da região caracteriza-se por uma média de precipitação pluviométrica de 1.500mm, temperatura média anual de 19ºC e umidade relativa do ar de 75%. É uma região tradicional no cultivo de uvas de origem americana (Vitis labrusca e Vitis bourquina), com área de produção estabilizada em torno de 350 ha. As principais cultivares utilizadas são “Bordô” (localmente também conhecida por Folha de Figo), “Jacquez”, “Ives”, “Niágara Rosada” e “Niágara Branca”. Aqui a latitude é compensada pela altitude, praticando-se uma viticultura de clima temperado, com poda em julho e agosto e colheita em dezembro e janeiro. O perfil do viticultor da região é de agricultura familiar e tradicional. Os parreirais são conduzidos no sistema de espaldeiras e grande parte implantado em sistema de pé franco (sem o uso de porta-enxerto), nestas condições, a produtividade média da região gira em torno de 8 ton./ha. Quanto a produção de vinho na região, que em sua grande maioria (95%) são vinhos de mesa produzidos com uvas cultivadas na própria região e parte com uvas adquiridas no Rio Grande do Sul. Embora a vitivinicultura do pólo de Caldas e Andradas seja focado na produção de vinhos de mesa e suco de uva, existem ações de empresários e da própria Empresa de Pesquisa e Desenvolvimento do Estado de Minas Gerais – EPAMIG, no sentido de incentivar a produção de uvas viníferas.

 

Norte de Minas Gerais

 

Este pólo produtor está às margens do Rio São Francisco, a 17ºS, 44ºW e a uma altitude média de 470m. A quantidade média anual de chuvas é de aproximadamente 1.050mm e a temperatura média anual é de 23ºC. Tendo como cidade pólo Pirapora, possui uma área de vinhedos de cerca de 500 ha, com produção totalmente voltada para o mercado de uva de mesa. A base da produção ainda é a uva ”Itália”e suas mutações “Rubi”, “Benitaka” e “Brasil”. Entretanto, vem crescendo o cultivo da “Niágara Rosada” e de cultivares de uvas sem sementes, principalmente cultivares brasileiras (BRS Clara, BRS Morena e BRS Linda).

 

Mundus Vinus Blogspot. Disponível em:<http://mundusvinus.blogspot.com.br/>. Acesso em 13 de agosto de 2016.

Pontos mapeados

Sul de Minas Gerais

Caldas

Andradas

Boa Esperança

Três Pontas

Adega Bertoli

Vinhos Beloto

Vinícola Basso

Vinhos Marcon

Casa Geraldo – Turismo Enogastronômico

Vinícola Muterle

Vinhos Piagentini

Vinhos Campino

Vinícola ABN

Vinhos Luiz Porto

Epamig Enologia

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